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Escuta cuidadosa e tratamento para depressão podem prevenir suicídios, afirma professor da UFMS em audiência pública
 
Palestrante entregou documento com recomendação resultada da audiência


>>10/09/2019

Em adesão à Campanha Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, a Câmara Municipal de Três Lagoas realizou audiência pública, nesta segunda-feira (9), para discutir o assunto. A iniciativa da vereadora Isabel Cristina trouxe o professor da UFMS, Edilson dos Reis para explanar sobre a questão. Como resultado do evento, foi encaminhado documento requerendo cursos de capacitação para profissionais que atendem a área de saúde e assistência social no município.

Atendendo na área há mais de 30 anos, o professor Reis frisou que a prevenção deve ocorrer o ano todo, porque os riscos são grandes e crescentes, inclusive porque o Brasil é o terceiro país mais depressivo do mundo. Outro aspecto bastante ressaltado foi a necessidade de acolhimento, de criar lugares de escutas a todos os que precisam de apoio, por passarem por problemas de saúde mental e emocionais.

Segundo Reis, 12% da população precisa de atenção em saúde mental, aspecto que, como destacou citando Freud, afeta tanto as pessoas e a sociedade quanto a tuberculose. “O mais cruel é o assassinato de si mesmo. A pior dor é a dor de uma mãe que perde o filho por suicídio”, afirmou.

Para ele, “o suicídio é a denúncia individual de uma crise coletiva”, sendo que esta crise é a de falta de convívio, de atenção, de atendimento público em saúde mental e o discurso religioso contra uso de medicamentos e auxílio médico. “Dizer que é frescura ou falta de Deus é muita crueldade, porque a pessoa precisa sim”, afirmou.

Também afirmou que algumas profissões estigmatizam comportamentos fortes, o que acaba levando ao suicídio. “O estigma que sofrem bombeiros, médicos, policiais, padres e pastores, por exemplo, isola o indivíduo”.

Reis informou que os principais fatores de risco são histórico de tentativa, transtorno mental, crise social, crise pessoal. De acordo com suas recomendações, é preciso prestar atenção, ouvir e não julgar. Com estas atitudes, ele avalia que é possível prevenir.

O profissional alertou que o ato do suicídio não é resultado de fatos isolados, mas de várias situações somadas. “A pessoa não quer tirar a vida, quer tirar a dor, da qual ela não consegue falar, pois se falar será julgada e condenada. Temos que abrir espaços de escuta, perguntar o que dói, onde dói, como podemos ajudar”. Para ele, as pessoas querem alguém para ouvi-las, em quem podem confiar e que se importe com elas. E não querem ser ignoradas, interrompidas e julgadas.

O professor disse que tem antídoto para o suicídio, que seria como tirar a cura do próprio veneno, ou seja, como o veneno é não expressar as dores, deve-se deixar falar e ouvir, acolher, fazer uma escuta amiga, ouvir sem condenar, não estigmatizar. E também buscar apoio profissional de psicólogos e psiquiatras, assim como fazer uso de medicamentos, que restabelecem os neurotransmissores. “Temos que respeitar, socorrer, amar. A pessoa que sofre quer ter esperança”, esclareceu.

A audiência foi aberta com duas atrações culturais, com músicas apresentadas pela vereadora Cristina e pelo capelão Inving Ferreira, músico que acompanha o professor Reis. Para finalizar, os rappers Cronos MC e Céltico, que apresentaram uma música na qual relatam a depressão sofrida e a ideação suicida.

Compuseram a mesa de autoridades o vice-prefeito Paulo Salomão, a procuradora federal do trabalho, Cláudia Fernanda Noriler, a secretária-adjunta da OAB, Jaqueline Torres de Lima, o advogado Jackson Emanuel, representando o deputado Herculano Borges.

A vereadora Cristina relatou que viveu a realidade do suicídio na família e entende toda a dor que este ato provoca para os outros familiares, o que a tem motivado a discutir o assunto. “É uma causa por todos”, afirmou. Para fechar o Setembro Amarelo, ela está organizando uma marcha para divulgar a prevenção ao suicídio. 



 
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